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Incubadoras de base tecnológica de SP devem ganhar novo fôlego em 2014

3 de dezembro de 2013
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Instituições que abrigam empresas nascentes de base tecnológica são objeto de estudo do governo estadual para receberem incentivo

Fonte: Estadão

Texto: Cris Olivette

A partir de 2014, as 33 incubadoras de base tecnológica existentes no Estado de São Paulo terão apoio financeiro da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Estado (SDECT). “O aporte de R$ 8 milhões para o Programa de Apoio às Incubadoras, depende de aprovação da proposta orçamentária que será votada no final do ano, na Assembleia Legislativa”, diz o técnico da SDECT responsável pelo programa, Fernando Batolla.

Segundo ele, a intenção da secretaria é incentivar as incubadoras a aperfeiçoarem seus programas para que possam cumprir, cada vez mais, o papel que cabe à elas de abrigar e impulsionar o desenvolvimento de empresas nascentes. O programa prevê, ainda, a capacitação de seus gestores.

Batolla diz que a SDECT encomendou à Faculdade de Economia e Administração (FEA) um diagnóstico minucioso das incubadoras de base tecnológica. “O estudo apontou que nem todas elas operam no mesmo nível. Algumas têm muitas dificuldades, enquanto outras estão muito bem estruturadas. Atualmente, elas abrigam 461 empresas, em 12 das 15 regiões administrativas do Estado.”

Em atividade há 11 anos, a Incubadora de Empresas de Piracicaba está entre as que enfrentam problemas com a falta de incentivo. “A única receita provém da cobrança de uma taxa pelo uso do espaço. Temos boxes de 40m² a 120m² pelos quais cobramos R$ 10 por m². Em troca, os incubados têm internet, limpeza, café e água. A energia elétrica é por conta de cada empresa”, diz o coordenador executivo, Leandro Dufrayer.

A IncubaPira, como é conhecida, tem capacidade para hospedar 11 empresas, por dois anos, podendo ser prorrogado por mais um ano. Mantida pela Associação Comercial Industrial de Piracicaba, Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas, de Material Elétrico, Eletrônico, Siderúrgico e Fundições de Piracicaba, Saltinho e Rio das Pedras (Simespi), e pela prefeitura de Piracicaba, a incubadora conta com parceira do Sebrae, que presta consultoria gratuita em várias áreas.

Segundo Dufrayer, para ser incubada a empresa deve ter alguma inovação tecnológica. “No site www.incubapira.com.br o interessado tem acesso às informações de como ocorre o processo de seleção”, conclui.

 

Com capacidade para abrigar 25 empresas, a Companhia de Desenvolvimento do Polo de Alta Tecnologia de Campinas (Ciatec) é mantida pela prefeitura do município. “Também somos parceiros de diversos órgãos como a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Preparamos as empresas para participarem de editais a fim de obterem recursos para tocarem os projetos”, diz o coordenador Décio Sirbone Júnior, no cargo há 19 anos.

Para ele. a iniciativa da SEDCT é interessante. “Estamos na expectativa, porque as incubadoras vivem de chapéu na mão”, afirma. Sirbone Jr. diz que a Ciatec cobra um termo de permissão de uso do espaço, em torno de R$ 300. “Nosso objetivo não é gerar receita para a incubadora, queremos que as empresas se desenvolvam e gerem empregos e impostos para o município. Já incubamos negócios que hoje empregam 200 pessoas.”

Sirbone Júnior diz que quatro empresas serão graduadas, abrindo vagas para o próximo ano. “Já recebi sete projetos de candidatos para essas vagas. Mas o processo seletivo começa com a publicação de um edital, que pode se acessado no site www.ciatec.org.br”, conclui.

O responsável pelo Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec), Sergio Risola, acredita que o estudo encomendado pelo governo à FEA dará respaldo às ações da secretaria para alavancar as incubadoras paulistas. “Espero que em 2015 já tenhamos números melhores. Minha maior expectativa é em relação a retomada dos encontros semestrais entre todas as incubadoras e incubados. Essa rede proporciona um leque incrível de oportunidades para todos”, ressalta.

Risola conta que o Cietec mantém até 130 empresas incubadas por ano. “A cada quatro meses realizamos um processo seletivo. As informações estão no site www.cietec.org.br”, diz.

CRIAR REDE É OPÇÃO PARA FORTALECER

O coordenador da pesquisa sobre incubadoras paulistas de base tecnológica, Moacir de Miranda Oliveira Júnior, da  Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA-USP), afirma que o maior desafio das incubadoras é descobrir formas de se sustentarem. “O movimento vive um momento de transição importante e a secretaria pode ajudar bastante na formulação de políticas”, diz.

O professor conta que para realizar o estudo, uma equipe percorreu 10 mil km no Estado, entrevistando gestores de incubadoras. “Produzimos um relatório bem detalhado com mais de 600 páginas com dados descritivos sobre nível de estruturação, governança, material disponível, infraestrutura etc.”

Ele diz que no relatório final foram feitas algumas recomendações. “Sugerimos, por exemplo, que ações em rede sejam fortalecidas para promover troca de experiências e disseminação de melhores práticas, porque algumas estão muito mais avançadas. Se houver uma ação articulada, essa troca de experiências poderá ser implementada”, afirma.

Outra sugestão foi a criação de um concurso ou prêmio para incubadoras de base tecnológica do Estado, em termos de melhores práticas. “Mas, na verdade, o prêmio seria só um pretexto para reunir e aproximar as incubadoras”, comenta.
Oliveira Júnior afirma que outra boa oportunidade é estimular a criação de incubadoras de base tecnológica próximas às regiões que concentram universidades e Fatecs. “Nessas regiões, há uma vocação natural para essas iniciativas. Entendemos que esse potencial ainda não é bem explorado.”

Ele cogita, também, a criação de uma rede institucional governamental para atrair grandes empresas e investidores de risco, para que os investimentos ocorram de forma mais estruturada. “Hoje, há um emaranhado de possibilidades, algumas incubadoras sabem acessar de forma adequada essas fontes, enquanto outras têm iniciativas bem incipientes ainda.”

Enquanto a rede estadual tenta se estruturar, em São Carlos ela já é uma realidade. “A cidade concentra um conjunto de iniciativas que incentivam a inovação”, diz o chefe de gabinete da prefeitura, Alfredo Colenci.

Além do Centro de Desenvolvimento das Indústrias Nascentes (Cedin), mantido pela prefeitura, a cidade reúne outras três instituições formando, segundo ele, uma cadeia logística do conhecimento. “Todas estão integradas em uma rede municipal de ciência, tecnologia e inovação. É isso que faz de São Carlos a capital nacional de tecnologia”, afirma.